✧Então, respondeu Jó: ✧2Na verdade, sei que assim é. Mas como pode um homem ser justo para com Deus? ✧3Se alguém quisesse contender com ele, de mil coisas não lhe poderia responder nem sequer uma. ✧4Sábio é ele de coração e poderoso em força. Quem se endureceu contra ele e foi bem sucedido? ✧5Ele é quem remove os montes, sem que o saibam, quando os transtorna na sua ira. ✧6Ele move a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem. ✧7Ele dá ordens ao sol, e o sol não nasce; e sela as estrelas. ✧8Ele sozinho estende os céus e anda sobre as ondas do mar. ✧9Ele faz a Ursa, o Órion e as Plêiades e as câmaras do Sul. ✧10Ele faz grandes coisas inescrutáveis e maravilhas sem número. ✧11Eis que ele passa junto a mim, e eu não o vejo; ele segue o seu caminho, mas eu não o percebo. ✧12Eis que toma a presa! Quem o pode proibir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes? ✧13Deus não retirará a sua ira. Debaixo dele, curvam-se os que ajudam a Raabe. ✧14Quanto menos lhe responderei eu e escolherei as minhas palavras para discutir com ele? ✧15Ainda que eu fosse justo, todavia, não lhe responderia; faria súplicas ao meu adversário. ✧16Se eu tivesse chamado, e ele me tivesse respondido, ainda assim eu não creria que ele me desse ouvidos à minha voz. ✧17Pois ele me desfaria com uma tempestade e multiplicaria as minhas feridas sem causa. ✧18Não me permitiria respirar, mas me encheria de amargura. ✧19Se falais da força do poderoso, eis-me aqui, diz ele. E, se do juízo: Quem me citará para comparecer? ✧20Ainda que eu seja justo, a minha própria boca me condenará; ✧21embora seja eu sincero, ela me convencerá de perverso. Eu sou sincero; não me estimo a mim mesmo, desprezo a minha vida. ✧22Para mim, tudo é o mesmo. Portanto, digo: Ele destrói o sincero e o iníquo. ✧23Se o flagelo mata de repente, ele zombará do desespero dos inocentes. ✧24A terra está entregue nas mãos dos iníquos. Ele cobre os rostos dos juízes dela; se não é ele, quem é, logo? ✧25Os meus dias são mais velozes do que um correio; Fogem e não veem a felicidade. ✧26Eles têm passado como navios de papiro, como a águia que se lança sobre a presa. ✧27Se digo: Esquecer-me-ei da minha queixa, deixarei o meu ar triste e tomarei alento; ✧28tenho medo de todas as minhas tristezas, sei que não me terás por inocente. ✧29Eu serei condenado; por que, pois, trabalho eu debalde? ✧30Se eu me lavar com a água de neve e limpar as minhas mãos o mais possível, ✧31todavia, me submergirás no fosso, E os meus próprios vestidos me abominarão. ✧32Pois ele não é homem, como eu, para eu lhe responder, para nos encontrarmos em juízo. ✧33Não há entre nós um árbitro, para pôr a sua mão sobre ambos. ✧34Tire ele a sua vara de cima de mim, e não me amedronte o seu terror; ✧35então, eu falarei e não o temerei, pois eu não sou assim em mim mesmo.
Tradução Brasileira (TB). Domínio público (edição de 1917/2010).